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Os Conselhos de Contabilidade precisam ser reformulados

19/01/2017
Os Conselhos de Contabilidade precisam ser reformulados

Autor: Contador Salézio Dagostim

A contabilidade oferece à sociedade um conjunto de técnicas e procedimentos que possibilita proteger os recursos monetários do povo contra as falcatruas e desvios. Por isso, quem tem a intenção de desviar os recursos monetários das pessoas jurídicas evita dar credibilidade à contabilidade. 

Para estes gestores, ela é um elemento complicador, que dificulta as suas ações, bem como os profissionais responsáveis pela operacionalização deste controle, que são os contadores, os quais não podem ser valorizados a fim de não dificultarem a sua agenda, que é desviar o dinheiro público. Assim estes agentes atuam, provocando o descrédito na contabilidade e deixando desprotegidos os seus profissionais.

É por este motivo que as entidades que foram criadas para dar proteção à contabilidade (conselho de fiscalização profissional), aos profissionais contábeis (sindicatos) e à sociedade (Tribunal de Contas) precisam ser reformuladas.

Se estes órgãos fossem mais atuantes, a sociedade certamente estaria mais protegida e a contabilidade e seus profissionais seriam mais valorizados e respeitados. Estaríamos, assim, atraindo mais jovens para o campo das Ciências Contábeis, pois todos os jovens sonham com um futuro promissor e querem ver na sua profissão o respeito e a valorização.

Entretanto, não se vê qualquer programa de televisão ou rádio enaltecendo o trabalho dos contadores e a importância da contabilidade, ou mesmo alguém dizer em público, com orgulho, que é estudante de Ciências Contábeis. Mas por que isto não acontece? Porque o Conselho de Contabilidade e os sindicatos dos profissionais contábeis não mostram interesse em ver a profissão e os profissionais valorizados.

O Conselho Federal de Contabilidade arrecada, por ano, mais de 50 milhões de reais dos profissionais contábeis. O que ele faz com esta fortuna? Basta um exame das contas do Conselho, para se ter uma ideia. São gastos com viagens, estadias, diárias; com realização de cursos, simpósios, seminários e congressos, sendo que estes eventos são pagos pelos profissionais, enquanto que a sua receita é desviada para outras entidades (particulares). São contratos milionários para desenvolver sistemas de informática; para contratar advogados (apesar de já haver advogados no quadro de funcionários), entre outros gastos. 

Para que, então, desenvolver programas de valorização da profissão se o grupo que comanda o Conselho Federal está bem? Para este grupo, o importante é não perder a sua posição no comando da classe, mantendo-se, assim, também no controle dos gastos.

O Conselho de Contabilidade não se preocupa com o ensino da Ciência Contábil. O ensino contábil não está centrado nas necessidades do mercado e o Exame de Suficiência do CFC se destina mais a avaliar se o aluno decorou as suas resoluções do que se efetivamente entende de contabilidade e de suas causas e efeitos. 

Além disso, a entidade não se preocupa com o controle das atividades contábeis, com quem são os responsáveis pela contabilidade dos agentes econômicos e sociais, o que provoca uma instabilidade funcional muito grande na categoria. Os gestores das pessoas jurídicas admitem e demitem seus contadores quando querem, basta que estes últimos discordem de seus procedimentos.

E, assim, segue a profissão contábil, sem prestígio social, mal remunerada e desrespeitada pela própria entidade que deveria estar cuidando dos seus interesses. Ainda bem que este ano haverá eleições para os conselhos de contabilidade. Espera-se que o sistema eleitoral que irá eleger os novos conselheiros estaduais seja definido pelas próprias chapas participantes, para que haja mais lisura e segurança nas eleições e que a vontade dos eleitores seja respeitada. 

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